O Consórcio Intermunicipal Grande ABC acompanhou, na última
quinta-feira (15), o lançamento da Operação São Paulo Sempre Alerta – El Niño
2026/2027. O evento aconteceu no Palácio dos Bandeirantes e apresentou a
estratégia do Governo de São Paulo para lidar com o fenômeno climático.
Ao todo, o plano reúne 181 iniciativas integradas e prevê R$
29 bilhões em investimentos até 2029, com ações voltadas à segurança hídrica, à
prevenção de enchentes, ao monitoramento meteorológico e ao fortalecimento da
infraestrutura e da Defesa Civil. Entre as medidas anunciadas na sede do
governo paulista está a criação de um gabinete especial para coordenar a
atuação de órgãos públicos e concessionárias, além da adoção de quatro níveis
de alerta (verde, amarelo, laranja e vermelho) e da emissão de boletins diários
para orientar a atuação dos municípios diante de riscos climáticos (leia mais
abaixo).
Durante o evento, o governador Tarcísio de Freitas
(Republicanos) frisou a importância do planejamento e da prevenção diante da
intensificação dos eventos climáticos extremos. “Estamos falando em investir R$
30 bilhões nos próximos quatro anos em resiliência climática. Nosso primeiro
movimento foi fazer o planejamento, fazer com que os planos falem a mesma
língua, saneamento, logística, energia e adaptação e resiliência climática”,
afirmou.
No mês passado, a entidade regional reuniu, em duas ocasiões, as Defesas Civis da região para iniciar a construção de um Plano Regional de Mudanças Climáticas.
Operação El Niño
Para reforçar a prevenção, a São Paulo Sempre Alerta –
Operação El Niño 2026/2027 começa em outubro. A iniciativa reestrutura,
antecipa e amplia a antiga Operação Chuvas: o monitoramento deixa de ser
sazonal e passa a funcionar até o final de 2027, inicialmente, mapeando e
respondendo permanentemente a eventos extremos como temporais, ondas de calor,
estiagens e incêndios florestais.
O Gabinete Especial da Operação El Niño reunirá
representantes do Governo, concessionárias de água, energia e gás, polícias e
Bombeiros. Com base no monitoramento diário, as regiões do estado serão
classificadas em quatro níveis operacionais: verde (observação), amarelo
(atenção), laranja (alerta) e vermelho (emergência), conforme a gravidade do
cenário e a necessidade de preparação, mobilização e resposta integrada.
O Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil produzirá, diariamente, um boletim com a previsão meteorológica e a classificação de riscos de cada uma das regionais, com visibilidade de três dias para facilitar o acompanhamento e providências das defesas civis municipais. Em situações de risco imediato, além da adoção de ações emergenciais, serão emitidos avisos e alertas específicos para a população.
Investimentos para o enfrentamento ao El Niño:
R$ 1 bilhão – Construção de piscinões;
R$ 1,7 bilhão – Desassoreamento de rios e córregos por meio
dos programas IntegraTietê e Rios Vivos;
R$ 9,5 bilhões – Parceria Público-Privada – Desassoreamento
contínuo, retirada de resíduos e vegetação aquática, manutenção de barragens e
pôlderes e conservação das margens, contemplando 182,9 km do rio Tietê e 27,6
km do rio Pinheiros;
R$ 181 milhões – Restauração e fiscalização;
R$ 400 milhões – Operação SP Sem Fogo;
R$ 1,7 bilhão – segurança hídrica – construção das barragens
de Pedreira e Duas Pontes;
R$ 1,9 bilhão – PPP Sistema Adutor Regional PCJ;
R$ 9 bilhões – Sabesp – reduzir perdas, ampliar a
disponibilidade de água e modernizar os sistemas de abastecimento até 2030;
R$ 2,76 bilhões – habitação – reduzir a vulnerabilidade e
reassentar famílias em diversas regiões do estado;
R$ 642 milhões – Estruturação do CGE e o CePRAM e
financiamento da prevenção, monitoramento, alerta e resposta;
R$ 376 milhões – Agropecuária – Seguro rural, máquinas, equipamentos e apoio a eventos climáticos.
As medidas anunciadas pelo Governo de São Paulo trazem
também ações para preparar o setor da Saúde para a chegada do El Niño. Em
agosto, a pasta elaborou o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde
para o Fenômeno El Niño 2026–2027, em conjunto com os 17 Departamentos
Regionais de Saúde (DRSs) e o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do
Estado de São Paulo (Cosems-SP). Como desdobramento, serão elaborados planos
regionais de contingência, com a participação dos municípios, considerando os
riscos e as vulnerabilidades de cada território.
A estratégia contempla a articulação entre vigilância
epidemiológica, assistência à saúde e assistência farmacêutica para preparar os
serviços diante de eventos climáticos extremos. Entre as preocupações estão as
doenças transmitidas por vetores, como dengue, chikungunya, Zika e febre
amarela, além de doenças relacionadas à contaminação da água, como leptospirose,
hepatite A e doenças diarreicas agudas.
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